Riscos cibernéticos das empresas no Centro-Oeste - *Por Ray Souza e Leandro Augusto

| ASSESSORIA


Mesmo diante de um cenário que exigiu mais cautela e prudência dos investidores, as empresas do Centro-Oeste registraram 16 operações de fusões e aquisições no primeiro semestre do ano passado, fechando o período com alta de 6,7% em relação ao mesmo período de 2020. Tais resultados apontam sinais claros de recuperação da economia brasileira na região -- com destaque para o estado de Goiás, que obteve uma operação a mais e encerrou os primeiros seis meses de 2021 com quatro negócios concluídos.

Este movimento de transações bem sucedidas, observado também em outras regiões do Brasil, acende um alerta para os cuidados necessários durante o processo de fusão e aquisição. Uma pesquisa realizada pela Forescout Technologies demonstra que, desde 2019, questões relacionadas à segurança cibernética têm se tornado uma preocupação durante as tratativas de tais processos. Segundo o levantamento, mais da metade (53%) das empresas encontraram um cenário preocupante de segurança cibernética que provocaram riscos aos acordos de fusões ou aquisições. Além disso, 65% dos participantes relataram arrependimento após uma transação devido a vulnerabilidades.

Importante destacar ainda que as consequências da pandemia, como os meses de isolamento social e a migração em massa para o trabalho remoto, causaram um aumento expressivo dos incidentes de segurança, principalmente casos de ransomware -- um tipo malicioso de software que pode bloquear o acesso a sistemas de computador ou dados valiosos, muitas vezes paralisando processos críticos de negócios até que seja pago um valor em dinheiro como resgate.

Portanto, torna-se fundamental executar um processo de diligência cibernética e, a partir daí, implementar controles adequados para evitar riscos financeiros e de reputação em novas empreitadas. Esse procedimento vai oferecer visibilidade às empresas acerca dos controles tecnológicos e processos existentes, além de esclarecer questões como nível de proteção de ativos, riscos com terceiros e vulnerabilidades existentes no ambiente. A partir dos resultados dessa análise, é possível endereçar as ações e mitigar quaisquer riscos encontrados.

À medida em que novas tecnologias surgem e se estabelecem, ampliando os conceitos de hiperconectividade, é imprescindível ter cada vez mais atenção a novas ameaças e riscos cibernéticos e tratá-los de forma adequada. Somente assim, observando todos os aspectos das negociações de maneira holística e proativa, os processos de fusões e aquisições seguirão esta trajetória ascendente.

*Ray Souza é sócio de mercados regionais da KPMG e Leandro Augusto é sócio-líder de segurança cibernética e privacidade da KPMG no Brasil e na América Latina.
 



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